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quarta-feira, 25 de maio de 2011

PRÍNCIPES E PLEBEUS: POR ENQUANTO...‏

Lixo de vida


Minha vida é um lixo, puro fracasso! Preciso mudar urgente! Meu casamento está um desastre, vários problemas profissionais e passo por grandes dificuldades financeiras. Tenho buscado por todos os lados melhorias, mas quando meu destino vai melhorar?

A base do fracasso humano é acreditar na sorte e no azar. Numa sociedade supersticiosa é bastante difundida a crença no destino. Quase todas as pessoas acreditam nisso, como o leitor que fez a pergunta. E a conseqüência principal desta visão fatalista da existência é não assumir responsabilidade pela própria vida. Tudo, absolutamente tudo, que nos acontece tem, em maior ou menor escala, nossa participação.

 Isso obviamente não significa que podemos controlar todos os acontecimentos e que a vida será totalmente como a queremos. Significa apenas que somos responsáveis pela nossa vida e que podemos melhorá-la, aprender com nossos erros e ter uma existência cada vez mais feliz.

A tarefa de construir a própria felicidade exige muita paciência, muito trabalho, muito aprendizado e sobretudo muita responsabilidade.

O que significa responsabilidade? A palavra vem do latim: respondere. Responsável é aquele que responde pelos seus pensamentos, pelos seus sentimentos, pelas suas ações. Ninguém é encarregado de me fazer feliz e nem eu sou responsável pela felicidade de outrem. Cada um é responsável por ele próprio, e este é o primeiro e definitivo sinal de maturidade. A criança, por não deter ainda os principais instrumentos do viver, não pode evidentemente ser dona de todas as suas ações. À medida, porém que vai crescendo ela vai assumindo não só o direito de escolher seus caminhos como de responder por eles. A formulação da pergunta do leitor revela uma personalidade infantil, imatura, que culpabiliza “a vida” e “o mundo” pelo que lhe acontece. Alguém me fazer seguro e feliz é impossível, se se acreditar que depende unicamente dos outros a concretização do nosso bem estar. Transferir para outrem a própria realização gera muita cobrança e controle nos relacionamentos. Acabamos tentando controlar as ações dos filhos, da esposa, do marido, dos pais para que sejamos felizes. Não seria muito mais fácil e visível que cada um conquiste sua felicidade e depois vá desfrutá-la na companhia dos outros, que também a conquistou por ele mesmo? Assim eu penso o Amor. A união de alegrias.

Quando esperamos fora de nós a felicidade nós nos esquecemos de nós mesmos, colocamos nossas necessidades em segundo lugar e perdemos o auto-amor. A postura de “vítima” é não acreditar que podemos mudar nossas vidas, exatamente por acreditar no destino. Os acontecimentos exteriores de nossa vida são resultados direto de nossas atitudes internas. Cada um faz seu próprio caminho, ainda que não tenha consciência disto. Acreditar nisso é o primeiro passo para uma vida melhor. Viver é escolher o tempo todo. Nossa estrada é construída através de uma sucessão de escolhas. E cada ato, por mais insignificante que seja, tem uma conseqüência. Assim os próprios erros e aprender com eles é que garantem uma vida de aperfeiçoamento contínuo. Sempre erramos e sempre vamos errar. Ninguém é perfeito. Podemos, porém melhorar a qualidade de nossa trajetória na nossa vida em todos os sentidos. Isso só acontece, no entanto, se pararmos de acusar o mundo e outras pessoas pelos nossos problemas. A maioria das pessoas, no entanto, se julgam perseguidos pelo azar e censuram a todos, menos a si próprios.

Recusam a responsabilidade de seus relacionamentos mal sucedidos, dos seus problemas e vivem se queixando de tudo e de todos e não reconhece a estreita ligação entre o que lhes acontece e as suas atitudes mentais. São pessoas que não delimitaram o próprio espaço na vida. Na verdade não existem enquanto indivíduos e são totalmente “misturados” com os outros.

A proteção excessiva aos filhos cria neles esta incompetência de ser donos de própria existência, das próprias escolhas. Atrás de todo filho irresponsável há pais que protegem e que “escolhem” no lugar do filho. Os limites são a porta de relacionamentos sadios. O limite nos faz firmes e conscientes de nos relacionarmos com os outros sem sufocá-los com nossos controles.Confiança em si mesmo é apenas saber que, apesar de imperfeitos, respondemos pela nossa vida.

Sem autonomia é impossível ser feliz. Ser responsável é ter a humildade de assumir nossas quedas, nossos erros, nossas dificuldades. É escolher novos caminhos se a vida não estiver boa.

Não existem vítimas do destino. Nós somos sujeitos do nossa história e podemos transmutar as dores da existência humana. Sorte é estar de olho aberto e aproveitar as oportunidades. Azar é esperar que a felicidade caia do céu. Feliz de quem acredita no fundo do coração, na sabedoria da antiga canção: ”Quem sabe faz a hora, não espera acontecer



O Medo da Transformação

O Medo da Transformação






Muitos seres humanos alegam desejar a transformação mas, quando surge a oportunidade de realizá-la, o medo e a insegurança acabam predominando.

É compreensível, pois transformar-se significa desconstruir as bases em que nosso ego e nossa personalidade se assentaram, para poder atuar no mundo.

E, ainda que estas bases sejam falsas, e não nos permitam expressar nosso ser real, nos acostumamos tanto a elas, que acabaram por se tornar uma espécie de capa protetora, atrás da qual nos escondemos e onde nos sentimos confortáveis.

Mas, o que fazer se, apesar disso, a angústia e o sofrimento estão presentes? Buscar a transformação exigirá de nós não apenas vontade, mas, determinação e coragem.

Muitos serão os truques apresentados pela mente para que fujamos da busca pela libertação. As ilusões a que nos apegaremos e que serão usadas como desculpa para fugirmos da caminhada ao encontro de nossa essência, serão inúmeras.

O medo assumirá a forma de compromissos inadiáveis, culpas, descrenças. Mas, aquele que se mantiver firme no desejo de vencer a si mesmo, certamente alcançará o objetivo.

A jornada não é tranqüila, e surgirão momentos em que a vontade de desistir e voltar à zona de conforto vai predominar. Nestas ocasiões, precisamos nos lembrar que o alcance da paz interior só é possível, para os que acreditam plenamente na vida e na sua generosidade, e têm a certeza de que ela sempre premia os que se entregam em total confiança.

....À medida que seu ego se torna mais forte, você vai perdendo a si mesmo. Você pode estar lutando e saindo vitorioso, não sabendo absolutamente que não se trata de um ganho, mas de uma perda. Ensina-se a todas as crianças a lutarem, de diferentes maneiras. A competição é uma luta, ser o primeiro da classe é uma luta, ganhar um troféu num jogo é uma luta... Essas coisas são preparações para a sua vida. Depois luta-se numa eleição, luta-se por dinheiro luta-se por prestígio. Toda essa sociedade está baseada em lutas, competição, briga, na colocação de cada indivíduo contra o todo.

... ‘Entrega’ significa ‘nenhuma competição, nenhuma briga, nenhuma luta’... simplesmente relaxar com a existência, aonde quer que ela conduza. Sem tentar controlar o seu futuro, sem tentar controlar as conseqüências, mas, permitindo-as acontecerem... sem nem pensar nelas. A entrega está no presente; as conseqüências estão no amanhã. E a entrega é uma experiência tão deleitosa... um total relaxamento, uma profunda sincronicidade com a existência.

A entrega é uma abordagem totalmente diferente. Seu primeiro passo é o abandono do ego, lembrando-se de que vocês não estão separados da existência: contra quem, então, estão lutando? Você não é separado das pessoas: contra quem, então, você está lutando? Contra si mesmo... e esta é a raiz causal da miséria. Seja contra quem for que você esteja lutando, você está lutando consigo mesmo - porque não há nenhum outro. 

...A entrega é uma profunda compreensão do fenômeno de que nós somos parte de uma só existência. Nós não podemos produzir egos separados: somos um com o todo. E o todo é vasto, imenso. A sua compreensão ajudará você a seguir com o todo, aonde quer que ele vá. Você não possui uma meta separada do todo, e o todo não tem nenhuma meta. Ele não está indo a algum lugar. Ele está simplesmente acontecendo aqui.

A compreensão da entrega o ajuda a ficar simplesmente aqui, sem quaisquer metas, sem nenhuma idéia de alcançar, sem nenhum conflito, batalha, luta, sabendo que seria lutar contra si mesmo - que é simplesmente tolice. 

A entrega é uma profunda compreensão. 

Ela não é um ato que você deva praticar. 

Qualquer ato faz parte do mundo da luta. Aquilo que você tem de fazer vai ser uma luta. A entrega é simplesmente compreensão. 

E aí, então, vem um silencioso relaxamento, fluência com o rio, desinteressado do aonde ele está indo, despreocupado de que você possa ficar perdido... nenhuma ansiedade, nenhuma angústia... porque você não está separado da totalidade, sendo assim, seja o que for que vá acontecer, vai ser bom. 

Com essa compreensão, você vai ver que não há mistura: a compreensão não pode se misturar com a ignorância; o insight dentro da existência não pode se misturar com a cegueira; a consciência-em-si não pode se misturar com a inconsciência-em-si. 

E a entrega não pode se misturar com as diferentes espécies de lutas - isso é uma impossibilidade. 

Apenas deixe-a afundar dentro do seu coração, e você descobrirá uma nova dimensão desabrochando, na qual cada momento é uma alegria, na qual cada momento é uma eternidade em si mesmo. 

OSHO, Além da Psicologia.

Elisabeth Cavalcante ::

Os bons espíritas

Os bons espíritas





A o analisarmos o item 4, do capítulo XVII, de O Evangelho segundo o Espiritismo, com o mesmo título do presente artigo, verificamos a grandeza da lição oferecida por Allan Kardec, definindo, com perceptibilidade, as características do autêntico espírita, que se torna legítimo cristão, coerente com os ensinos evangélico-doutrinários que adquire.

O texto, de notável luminosida de, levanos a refletir sobre a im portância de promover mudança de rumo em nossa existência, prontos para atender ao chama mento da mensagem libertadora, como oportunidade única de al cançarmos objetivos retificadores. Ao conquistarmos as efetivas con dições espirituais para evolução de nós mesmos, somos atingidos no coração e reconhecidos como verdadeiros espíritas pela nossa transformação moral e pelos esforços que empregamos para domar nossas inclinações infelizes.

Desventuradamente, no entanto, nem sempre estamos dispostos a seguir certas lições que o Espiritismo nos proporciona; somos es píritas que, sem entender a es sência dos ensinamentos doutrinários, acreditamos poder continuar na ilusão de júbilos engano sos e nos excessos das satisfações pessoais buscadas com ambição desmedida. Ao comentar o problema, em O Livro dos Médiuns, o Codificador, com propriedade e sabedoria, qualifica de espíritas imperfeitos:

Os que no Espiritismo veem mais do que fatos; compreen demlhe a parte filosófica; ad miram a moral daí decorrente, mas não a praticam. Insignifi cante ou nula é a influência que lhes exerce nos caracteres. Em nada alteram seus hábitos e não se privariam de um só gozo que fosse. O avarento continua a sê lo, o orgulhoso se conserva cheio de si, o invejoso e o cioso sempre hostis. Consideram a caridade cristã apenas uma bela máxima. [...]

Kardec chegou a essa conclusão após minuciosos estudos do perfil dos inúmeros adeptos que se li garam à Doutrina, evidenciando que, essencialmente, “os que não se contentam com admirar a mo ral espírita, que a praticam e lhe aceitam todas as consequências” e que “[...] tratam de aproveitar os seus breves instantes para avançar pela senda do progresso”, são os espíritas cristãos, aqueles que real mente compreendem a necessida de de cumprir com disciplina e nobreza os princípios da Consola dora Revelação.

Para efeito das reflexões que o tema possa suscitar, é importante encaminhar essas ideias para o trabalho que executamos na seara espírita, onde é preciso cultivar certa austeridade evangélica sem olvidar a humildade ativa. Nas ideias expostas pelo escritor espírita Indalício Mendes (1901 1988), encontramse significa tivas contribuições sobre a questão, ao analisar os antagonismos existentes entre irmãos de um mesmo credo:

O Espiritismo é e tem de ser cultivado pela humildade labo riosa. Sem humildade não há es pírito evangélico nem há soli dez doutrinária. Devemos insis tir em que a Doutrina de Kardec seja a pedra de toque da forma ção moral de todos aqueles que ingressam no Espiritismo e nele permanecem. Não podemos ter a veleidade de aspirar posições de relevo, muito menos de ad quirir supremacia nisto ou na quilo.Nosso dever, perante Jesus e perante o Espiritismo, é ser humildes de coração, absoluta mente fiéis às determinações doutrinárias e ao Evangelho se gundo o Espiritismo.

É indispensável pesar as conse quências dos nossos atos e adqui rir postura realmente cristã. En ganamse aqueles que acham que as realizações espíritas existem pa ra disputar lugar nos labirintos do poder religioso. Cumprenos, an tes, trabalhar no bem e exemplifi car, cuidando para que tenhamos a capacidade de cultivar genuínos sentimentos de amor e solidariedade para com os companheiros de jornada. A sabedoria consiste em nos aproximarmos cada vez mais uns dos outros, efetuando, em nossas instituições, ações con juntas que favoreçam a missão do Consolador Prometido em prol da evangelização da coletividade terrestre.

A valiosa mensagem dada pelo benemerente Espírito Bezerra de Menezes enfatiza o extraordinário papel do Espiritismo no mundo e exalta a disposição de Kardec, que “[...] experimentou [...] as incom preensões, fora e dentro dos ar raiais do Movimento Espírita [mas], teve a coragem de não desaminar; teve o valor moral de não arreme ter contra; soube expor a Doutrina com elevação,mas viveua cristãmente, santamente,dando nos o legado incorruptível que devemos preservar, para passar à posteridade”. Exemplos históricos e da atualidade mostram os gran des erros cometidos em no me do Cristianismo, pois, “infelizmente, as religiões hão sido sempre instrumentos de dominação”. Sabedor das dificuldades encontradas junto aos admiradores espíritas de sua época, o insigne Kardec, ao elaborar o capítulo I de A Gênese, que tem como título “Caráter da Revela ção Espírita”, res salta, em nota ao item:

Diante de declarações tão níti das e tão categóricas, quais as que se contêm neste capítulo, caem por terra todas as alega ções de tendências ao absolutis mo e à autocracia dos princí pios, bem como todas as falsas assimilações que algumas pes soas prevenidas ou mal infor madas emprestam à doutrina. Não são novas, aliás, estas de clarações; temolas repetido mui tíssimas vezes nos nossos escri tos, para que nenhuma dúvida persista a tal respeito. Elas, ao demais, assinalam o verdadeiro papel que nos cabe, único que ambicionamos: o de mero trabalhador. (Grifo nosso.)

Essa advertência nos alerta para as inclinações que surgem do passado longínquo, tornando nos, vez ou outra, personalistas e ávidos por posições transitórias de destaque, nas instituições es píritas em que atuamos. Por que pretensões individuais se o campo edificante a semear desdobrase para todos? O educador espiritual Emmanuel afirma que:

O discípulo não pode ignorar que a permanência na Terra de corre da necessidade de traba lho proveitoso e não do uso de vantagens efêmeras que, em muitos casos, lhe anulariam a capacidade de servir. [...]

Onde permanece a atração do interesse pessoal, não é possível o cultivo dos sentimentos de justiça, amor e caridade, expressos nas leis morais. A orientação dada pelos Espíritos reveladores contém pre ciosos esclarecimentos sobre co mo devemos aproveitar os ensinos espíritas para que se transformem em abençoadas regras de viver:

Toda virtude tem o seu mérito próprio, porque todas indicam progresso na senda do bem. Há virtude sempre que há resistên cia voluntária ao arrastamento dos maus pendores. A sublimi dade da virtude, porém, está no sacrifício do interesse pessoal, pe lo bem do próximo, sem pensa mento oculto. A mais meritória é a que assenta na mais desinte ressada caridade. 10 (Grifo nosso.)

Outro ponto a destacar é que o espírita, ciente de sua respon sabilidade, se preocupa com a disciplina, com o tempo e passa a ter mais ampla noção do dever, que lhe exige a realização de ações irrepreensivelmente executadas. O Espírito Emmanuel avivanos para um problema a enfrentar: aquele que assim age, em exatos momentos,

[...] supõese com mais vasta provisão de direitos. E, por ve zes, leva mais longe que o ne cessário a faculdade de preser válos e defendêlos, iniciando as primeiras formações de iras cibilidade, através da superesti mação do próprio valor. Insta lado o sentimento de autoim portância, a criatura abraça fa cilmente melindres e mágoas, diante de lutas naturais que considera por incompreensões e ofensas alheias. 11

Essa característica comporta mental procura solidificar e de clarar a sua individualidade, pre judicando, sensivelmente, aqueles que assim agem, colocandoos em posição crítica perante os demais companheiros, que passam a jul gálos intolerantes e excessivamen te autoritários.A aceitação de pen samentos opostos aos nossos nos leva ao consenso. Essa preocupa ção, inspirada pela bondade, sabe rá olhar com equilíbrio para o proceder alheio.

Entretanto, “se a nossa cons ciência jaz tranquila [...] no apro veitamento das oportunidades que o Senhor nos concedeu, es tejamos serenos na dificuldade e operosos na prática do bem, à frente de quaisquer circunstâncias”, 11 esforçandonos para sermos bons espíritas.

Clara Lila Gonzales de Araújo


Referências

1 KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 25. ed. (bolso). 3. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 17, it. 4.

2  p. 295.

3  O livro dos médiuns. Trad. Guillon Ribeiro. 80. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2009. P. 1, cap. 3, it. 28, subit. 2.

4  subit. 3.

5 MENDES, Indalício. Rumos doutrinários. 3. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. Conduta espírita, it. Intelectualismo pernicioso, p. 47.

6 SOUZA, Juvanir Borges de (Coordenador). Bezerra de Menezes: ontem e hoje. 41. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2009. P. 3. cap. 34, p. 232.

7 KARDEC, Allan. A gênese. Trad. Guillon Ribeiro. 52. ed. 3. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 1, it. 8.

8 It. 55, nota de Kardec, n. 11.

9 XAVIER, Francisco C. Caminho, verdade e vida. Pelo Espírito Emmanuel. ed. esp. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Cap. 103, p. 222.

10 KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. rad. Guillon Ribeiro. 91. ed. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Q. 893.

11 XAVIER, Francisco C. Estude e viva. PeloEspírito Emmanuel. 13. ed. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 14,



Espiritismo e Ecologia




Espiritismo e Ecologia





Esiritismo e Ecologia surgiram no mesmo período histórico, em países fronteiriços – França e Alemanha – a partir do trabalho meticuloso de dois homens de ciência que provavelmente não se conheceram, mas que tinham algumas afinidades importantes.

Hippolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec) e Ernst Haeckel simpatizavam com o Evolucionismo de Darwin e, por essas e outras razões, não eram vistos com simpatia pela Igreja Católica, que defendia o criacionismo como a base fundamental do conhecimento.

Mais que isso: tanto o Espiritismo quanto a Ecologia oferecem preciosas ferramentas de percepção de uma realidade sistêmica, que nos revela um universo interligado, interdependente, onde todos os seus elementos constitutivos interagem o tempo inteiro. É curioso constatar que alguns textos referenciais da doutrina espírita poderiam ser confundidos com verdadeiros postulados ecológicos. “De sorte que as nebulosas reagem sobre as nebulosas, os sistemas reagem sobre os sistemas, como os planetas reagem sobre os planetas, como os elementos de cada planeta reagem uns sobre os outros, e assim sucessivamente, até o átomo” (Cap. XVIII, item 8) é um conceito apresentado em A Gênese tão afinado com os princípios ecológicos quanto o que diz que “tudo no universo se liga, tudo se encadeia, tudo se acha submetido à grande e harmoniosa lei de unidade (Cap. XIV, item 12).

Espíritas e ecologistas também denunciam um senso de urgência em relação ao que precisamos realizar sem demora em favor da vida. Enquanto os ecologistas alertam para o risco de um esgotamento da capacidade de o planeta prover a humanidade das atuais demandas insustentáveis de matéria-prima e energia, os espíritas recomendam que aproveitemos ao máximo a atual encarnação para ajustarmos a nossa vibração à do planeta, que ascende na escala dos mundos. Ou seja, fazer as escolhas erradas agora pode nos custar o impedimento de seguir reencarnando na Terra, já que para o novo mundo de regeneração só virão aqueles com vibração compatível, mais elevados ética e moralmente.

Espíritas e ecologistas alertam para os riscos da poluição nos dois planos da vida. Enquanto os ecologistas denunciam os impactos causados pela poluição do ar, das águas e da terra, os espíritas desdobram esse olhar para o campo sutil, e revelam a importância de mantermos bons pensamentos e sentimentos para que a nossa psicosfera – campo eletromagnético que nos envolve e que reflete nossa realidade evolutiva, padrão psíquico, emoções e estado físico – seja a mais saudável possível. Sanear a mente e o coração tem efeitos diretos e positivos sobre a nossa psicosfera e a qualidade da vibração do planeta que nos acolhe.

Espíritas e ecologistas denunciam com veemência as mazelas do consumismo. Inúmeros relatórios produzidos pela ONU, organizações prestigiadas como a Worldwatch Institute, universidades e instituições de pesquisa espalhadas pelo mundo demonstram que o consumo exagerado, perdulário e compulsivo de aproximadamente 20% da população mundial tem agravado progressivamente o cenário de destruição do meio ambiente. Estima-se que hoje a Humanidade esteja demandando em recursos naturais não renováveis, a cada ano, 30% a mais do que o planeta seja capaz de suportar. Se o consumo favorece a vida, o consumismo degrada, depreda e destrói, em uma velocidade impressionante, os recursos naturais não renováveis.

Publicado em 1857, O Livro dos Espíritos – base da codificação - reserva um capítulo inteiro para a chamada Lei de Conservação, no qual a Espiritualidade Maior explica a diferença entre o que seja necessário e supérfluo, e deixa bastante claro que “a Terra ofereceria ao homem sempre o necessário, se com o necessário soubesse o homem contentar-se” (resposta à pergunta

705). O enorme apego à matéria – característico dos habitantes dos mundos primitivos - expresso nos valores dominantes da sociedade de consumo dos dias de hoje, revela o risco de desperdiçarmos tempo e energia preciosos com aquilo que é perecível, efêmero e descartável.

São realmente muitas as afinidades entre a doutrina espírita e as ciências ecológicas. Abrir espaço para pesquisas nesta direção significa oxigenar o debate em favor da vida, em um momento estratégico para nossa espécie. Vivemos hoje uma crise ambiental sem precedentes na história da Humanidade e somos diretamente responsáveis por essa situação. O uso soberano do nosso livre-arbítrio nos trouxe até aqui. Hoje, testemunhamos o risco do colapso, do ecocídio que torna o planeta cada vez mais hostil à nossa presença. A boa notícia é que dispomos de todos os meios necessários para reverter essa situação e transformar positivamente essa realidade. Quem procura melhorar-se ética e moralmente – e o Espiritismo elege como uma de suas prioridades a reforma íntima – deve agir em favor da vida, da harmonia e do equilíbrio. Ser sustentável é cuidar de si, dos outros e de nossa casa planetária. Já.

André Trigueiro


Referências:

TRIGUEIRO, André. Espiritismo e Ecologia. 2ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 2010.

KARDEC, Allan. A Gênese. Tradução de Guillon Ribeiro. 26ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 1994.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução Guillon Ribeiro. 31ª ed. Rio de Janeiro: FEB.






EDUCAÇÃO DA CRIANÇA OU DO ESPÍRITO?

EDUCAÇÃO DA CRIANÇA OU DO ESPÍRITO?





1 - O espírito, saindo do Princípio como óvulo, com todas as VIRTUDES DIVINAS EM POTENCIAL, herda do mesmo Princípio ou Deus todos os fatores, em leis, elementos e meios, para se desabrochar, até VOLTAR A SER DEUS EM DEUS OU UNO;

2 - Quanto mais for subindo na escala evolutiva ou biológica, ou no entendimento, aonde pontificam a VERDADE como conhecimento, o AMOR como conduta e a VIRTUDE como qualidades acumuladas, tanto mais virá a ser RESPONSÁVEL PERANTE A JUSTIÇA DIVINA;

3 - Para desabrochar as VIRTUDES DIVINAS, entre outros fatores, a REENCARNAÇÃO oferece oportunidades totais, porque coloca o espírito frente a todos os motivos necessários, espirituais, físicos, morais, científicos, técnicos, etc;

4 - Ser criança material, ou na carne, decorre de ser CRIANÇA ESPIRITUAL, sem fator evolutivo ponderável;

5 - Ser criança material, ou na carne, decorre de lei natural, por Determinação Divina, porque o processo evolutivo, ou desabrochante, determina reencarnar, seja o espírito mais ou menos evoluído, melhor ou pior, tenha ou não carma negativo a ressarcir;

6 - Reencarnar é lei, para desabrochar o DEUS INTERNO, A CENTELHA QUE DEVE VOLTAR À UNIDADE DIVINA, OU SER ESPÍRITO E VERDADE, COMO O PRINCÍPIO O É;

7 - Há espíritos, em todos os graus da escala evolutiva, que não devem crimes, porém devem a si mesmos a obrigação de IR DESABROCHANDO AS VIRTUDES DIVINAS, QUE CONTÉM EM POTENCIAL;

8 - Há espíritos, em cujo carma estão as marcas dos crimes cometidos, e que, independente do FATOR EVOLUTIVO NORMAL, estão obrigados aos devidos ressarcimentos;

9 - Em muitos espíritos estão as marcas negativas e positivas, em grau relativo, favorecendo descontar faltas e acumular méritos desabrochantes, em uma mesma encarnação;

10 - Entenda bem, cada um, que o problema do espírito não é de PURIFICAÇÃO, mas sim de DESABROCHAMENTO DAS VIRTUDES DIVINAS, até vir a ser, COMO DEUS, ESPÍRITO E VERDADE;

11 - Por três motivos o espírito reencarna: PROVAS OU TRABALHOS DESABROCHANTES DAS VIRTUDES DIVINAS QUE CONTÉM EM POTENCIAL; EXPIAÇÕES DE FALTAS OU CRIMES COMETIDOS; E, TAREFA MESSIÂNICA OU DE CARÁTER MUITO SUPERIOR;

12 - Em muitos casos, numa mesma encarnação, podem estar em pauta encarnacionista os três fatores: PROVAS EVOLUTIVAS, EXPIAÇÃO E MISSÃO. Cumpre notar, entretanto, que nas graves expiações, ou nas grandes missões, salientam-se os mais severos programas encarnacionistas, onde o trabalho dos Altos Mentores Programadores pontifica, com observações ou controles que marcam todo o tempo de encarnação do espírito;

13 - Na Terra, as religiões e os sectarismos dão testemunhos de profunda ignorância, de graves falhas, quando se trata de ensinar o certo, sobre tudo quanto diz respeito ao espírito;

14 - Na Terra, os que se julgam adultos falham gravemente, quando se trata do verdadeiro ensino, a adultos e não adultos, porque o COMPORTAMENTO deriva de fanatismos religiosistas, sectários, e de outros tantos mórbidos registros;

15 - A Lei Moral e o Cristo Modelo, falando muito menos, certamente ensinam tudo certo e para sempre, para crianças de todas as idades, principalmente adultas...;

16 - Por causa do passado, da ignorância acumulada e dos vícios religiosistas e sectários, e outros tantos mórbidos misoneísmos, os terrícolas não entendem o que Jesus proclamou: DAÍ DIGNOS FRUTOS PELO EXEMPLO... Quem, como adulto, pai, mãe, irmão, mestre, ou preceptor de qualquer nível, não dá DIGNOS FRUTOS PELO EXEMPLO, como pode ensinar a criança?

17 - Quando, alguém do plano espiritual, de bom gabarito, encara o encarnado, ou o marionete que movimenta sobre a Terra, nada mais vê que não seja um fanático desta ou daquela panelinha ou igrejinha capciosa...;

18 - Como o NOVO CÉU E A NOVA TERRA despontam nos horizontes da História, devemos lembrar a todos os terrícolas, que a Lei Moral, o Cristo Modelo e o Consolador por Ele generalizado, tal e qual como está ordenado no primeiro capítulo do Livro dos Atos, terá que se estender sobre toda a carne, ou Humanidade, modificando totalmente os usos e costumes;

19 - Cremos ser dispensável, avisar que DEUS NÃO PRECISA MUDAR DE CONDUTA;

20 - Entretanto, não se esqueçam os homens, a JUSTIÇA DIVINA obrigará o homem a mudar, custe o que custar. Mais uma vez, lembramos aos inteligentes e honestos, a importância de ler os cinco últimos capítulos do Apocalipse, porque, além de avisar sobre as profundas renovações cíclicas, salientam acima de tudo que o REINO DE DEUS E SUA JUSTIÇA, para todos os efeitos, controlam tudo na vida dos filhos do mesmo Deus;

21 - Sendo assim, que a JUSTIÇA DIVINA prevalece sobre tudo e todos, saibam ou não, queiram ou não os homens, o principal que cumpre aos adultos praticarem, em favor da educação da criança, é DAR DIGNOS FRUTOS PELO EXEMPLO;

22 - E quando se trata da LEI MORAL, CRISTO DIVINO MOLDE E CONSOLADOR POR ELE GENERALIZADO, os donos de religiões, seitas, camarilhas, súcias, igrejinhas, panelas e panelinhas, dão os mais hipócritas exemplos, mentem sobre textos bíblicos, escondem verdades iniciáticas, tudo fazem para que tribofes humanos prevaleçam sobre Mandamentos Divinos;

23 - Jamais descobertas científicas ou técnicas, traduzem ou significam, que alguém, ou algum país, raça ou povo, venha a ter o direito de SE CONSTITUIR NO ALGOZ de seu irmão;

24 - Jamais algum meio de comunicação, ou facilidade de ensino, representa para alguém, o direito de escandalizar o AMAI-VOS UNS AOS OUTROS;

25 - Portanto, pense na educação da criança, aquele que se educou primeiro, que primeiro descobriu, que CRISTIANISMO É MORAL DIVINA, AMOR DIVINO E REVELAÇÃO DIVINA;

26 - Porque a ignorância e a hipocrisia não herdarão O REINO DE DEUS.

E para herdar O REINO DE DEUS, a Lei Moral manda respeitar o Princípio e amar o próximo, enquanto que o Cristo Modelo ensina a RENUNCIAR ATÉ O SUPREMO SACRIFÍCIO.

Escondendo verdades bíblico-proféticas, e apresentando aranzéis hipócritas, que defendem suas míseras inclinações mundanas, ou mórbidas manias dominadoras, é que os donos de religiões e sectarismos vão dar DIGNOS EXEMPLOS ÀS CRIANÇAS?

Perante Deus, ou a plenitude espiritual, os terrícolas são todos crianças...

Mas as crianças hipócritas valem muito menos. E não vivam falando em AMOR, segundo o ritual da mesma hipocrisia, porque por cima da JUSTIÇA DIVINA ninguém jamais passará!


Reforma espiritual

Reforma espiritual






Existe uma série de ações que devemos ter ao longo de nossa encarnação, a fim de processar nossa reforma individual e purificar nossos sentimentos. Porém, devemos ter em mente que isso deve ocorrer em nosso pensamento e coração, promovendo a mudança de hábitos e comportamentos e, conseqüentemente, de nossa relação com o meio. Não devemos mudar pela simples imposição do meio, sem senti-la, porque será uma mudança forçada que objetiva resultados e benefícios próprios. A reforma pessoal visa mudar o eu na relação com o meio, promovendo evolução e não ganhos pessoais

Para que isso aconteça, temos que desenvolver nosso conhecimento sobre aquilo que objetivamos mudar. Atuar como médium é seguir toda uma filosofia espírita, trabalhar com uma ciência bem delimitada e nos religarmos a Deus sob a ótica da reencarnação. Tudo isso possui teorias que elucidam e nos fazem compreender a realidade dos fatos. Allan Kardec é o grande precursor desse arcabouço prático-teórico que explica ao mundo a realidade espiritual. Suas obras são a base sólida do Espiritismo no Planeta, mas não é apenas a esse autor que devemos declinar nosso interesse e motivação. Encontramos hoje em muitos autores espíritas e espiritualistas em geral, sejam eles encarnados ou desencarnados, fontes vivas de luz e de novos caminhos necessários ao crescimento dos povos. Entre eles poderíamos citar Francisco Cândido Xavier e colaboradores, Ramatís, José Lacerda de Azevedo, entre muitos outros. O conhecimento espírita é como um botão de rosa que vem se abrindo ao mundo, revelando a cada despertar novas verdades. Por isso, não podemos considerar que nossa ciência se restrinja às informações de Kardec, apesar de seu valor e importância indescritíveis. A humanidade e o pensamento vigente evoluem e necessitam de novas técnicas e saberes.

Da teoria à prática

Adquirindo novas informações, devemos processá-las e começar a transformá-las em ações efetivas de mudança em nosso dia-a-dia, principalmente no que concerne aos ensinamentos e ao amor cristão, pois esse é o ensinamento de todos os ensinamentos, hoje e sempre. E isso não deve acontecer apenas entre as paredes dos centros espíritas. O primeiro lugar de exercício desse processo é o nosso lar. Se junto de nossos pais, irmãos, maridos, esposas, filhos e seres ligados diretamente não semearmos o respeito, a fraternidade e a caridade, não será com nossos desafetos e irmãos mais distantes que teremos facilidade de consegui-lo. A grande família cósmica e a grande regeneração planetária acontecerão a partir da transformação das partes que a compõem, e a família é esse micronúcleo que eclode e dissemina o senso comum na sociedade.

Harmonizando nosso lar e direcionando nossas intenções à família, devemos olhar também para nossa atividade profissional. Não existem profissões com maior ou menor dignidade e nem pessoas mais ou menos capazes. O que há em nossas vidas são reencontros que visam resgatar e nos lançar mais próximos da Luz. Nosso ambiente de trabalho é o local em que passamos a maior parte de nossa encarnação e onde mantemos os reencontros mais constantes e repetitivos. Não será nos queixando e lamentando que alcançaremos com êxito nosso intento. Todos nós estaremos ali reunidos pelo mesmo padrão vibratório e pelas mesmas identificações. Se percebemos diferente, levemos todos junto conosco. Trabalhar é a essência de nossa encarnação, é transformar.

Nossa libertação dos vícios comportamentais é o próximo passo. Julgar, falar demais, criticar, mentir, omitir, ser indiferente e alheio, entre outros, são comportamentos danosos a nós e aos outros e devem ser exercitados, a fim de reduzi-los e até eliminá-los. Geralmente nossas atitudes são muito mais perigosas ao espírito do que os vícios químicos. Não que estes não sejam relevantes, muito pelo contrário, são de intensidade proporcional, entretanto, muitas vezes são mais valorizados do que os outros. Obviamente que a alimentação compulsiva, o fumo, as bebidas de álcool e qualquer outro tipo de substância psicoativa, lesam tanto nosso corpo físico quando os espirituais, mas devemos lembrar que vício é vício e existem infinitas formas de danos.

Sermos resignados sem passividade e apatia é outra forma de desenvolvimento individual. Aceitar nossa condição, lutando por um mundo e uma evolução pessoal maior e vendo o que nos acontece é o melhor para cada um e uma benção generosa de Deus.

Jesus, luz em nossas almas

Esse sem dúvida é um caminho de muita dificuldade para seres tão imperfeitos como nós. A melhor forma de conseguir um intento proveitoso é não esquecermos que, para ocorrer tudo isso, devemos estar sempre ao lado de Jesus e de nosso Pai, elevando nossos pensamentos, nossos corações e buscando nosso desdobramento espiritual para junto dos espíritos instrutores, que já estão em lugares um pouco mais elevados do que estamos hoje.

Sonhos da alma

Sonhos da alma





A psicóloga Jussara Bispo Dantas do Nascimento analisa os sonhos e as premonições sob a ótica da psicologia e do espiritismo

Os sonhos e seus significados sempre exerceram fascínio sobre psicólogos, cientistas e o público em geral. As possibilidades de entendimento de seus enigmas são inesgotáveis por mais que se avance no tempo e nas pesquisas.

Segundo a psicóloga Jussara Bispo Dantas do Nascimento, especializada em psicologia analítica Junguiana e associada da ABRAPE (Associação Brasileira de Psicólogos Espíritas), o mundo dos sonhos mostra uma outra faceta da realidade; é apreendido pelos sentidos e considerado concreto. Complementa ainda que para a interpretação dos sonhos, não basta o conhecimento técnico e acadêmico, mas necessita-se da sensibilidade e da intuição, já que seu campo pertence à esfera intuitiva e emocional, onde os insights facilitam a compreensão de seu sentido.

Qual é a sua experiência a respeito do tema sonhos e premonições?

Jussara Bispo Dantas do Nascimento – A experiência que possuo nesse sentido vem de minha atuação na área clínica. Utilizo a interpretação de sonhos como uma das formas de acesso às áreas inconscientes, seja para solução de conflitos, desenvolvimento psicológico e ou como uma forma de autoconhecimento para os pacientes.

Atendi alguns clientes que tiveram sonhos premonitórios, mas estes não se deram como um fato mediúnico e nem eram constantes. Em praticamente todos os casos que pude observar, tratou-se de uma espécie de alerta pelo que estavam vivenciando num dado momento de suas vidas. Parece ter sido mais um aviso de preparação para o que teriam que enfrentar. O mesmo pude observar nas pessoas que atendi em entrevistas de auxílio, realizadas em um dos meus trabalhos no centro espírita.

Qual é a visão da psicologia em relação aos sonhos e premonições?

Na visão neurofisiológica do sono com sonhos, estes representam simplesmente uma manifestação elétrica do cérebro, usando o material do passado recente ou remoto para construir histórias bizarras e sem nexo e que desempenham múltiplas funções; memória, reconstrução das ligações entre os neurônios, e desenvolvimento cerebral. Porém, na psicologia são muito importantes. Na primeira metade da vida costumam se referir ao mundo exterior e ao processo de adaptação e fortalecimento do ego. Na segunda metade se referem à vida interior e a necessidade de entender seu significado. Prestar atenção a eles poderá dar sentido à vida das pessoas, ajudando o autoconhecimento e autodescobrimento, a fim de alcançar a evolução.

Os sonhos refletem o passado, o presente e o futuro, e também situações atemporais. Não seguem a seqüência da nossa consciência. É um recado do self para o ego, tendo assim um papel orientador e regulador da relação do inconsciente e do consciente. Quando não são bem entendidos, se repetirão até que o processo de crescimento tenha atingido seu real objetivo. Entretanto, temos dificuldades em compreendê-los por analisá-los com uma mente diferente (consciente) da que os elaborou (inconsciente).

E a visão da psicologia embasada nos conhecimentos da doutrina espírita?

A interpretação espírita não é imposta ao cliente, pois qualquer que ela seja, deve implicar num consenso entre analista e cliente. Na ABRAPE, temos encontros com o objetivo de pesquisar e discutir casos e temas com o uso da psicologia e do espiritismo, produzindo trabalhos diversos a partir dessas reuniões. Sabemos que existem sonhos perfeitamente distingüíveis quanto à natureza psicológica ou espiritual, mas há outros de difícil definição. Sei que a psicologia preocupa-se em estabelecer uma linha divisória bem nítida com o conhecimento espírita, entretanto, seus objetos de estudo se assemelham em muitos pontos. Um não contradiz o outro, mas se completam.

Para o espiritismo, os sonhos se originam no espírito que, fora do corpo durante o sono, atua no mundo espiritual e ao acordar, imprime suas imagens e sensações no córtex cerebral, dando margem à lembrança em forma de sonho. O sonhador, estando desencarnado ou encarnado, sonhará, pois o sonhar é um ato psíquico que transcende o funcionamento cerebral. No desencarnado, as impressões serão gravadas em sua estrutura perispiritual após despertar. O senhor do sonho é o espírito, cuja única destinação é a ascensão espiritual. Não temos a preocupação em provar que os sonhos são de origem espiritual ou que alguns deles apresentam aspectos inerentes a essa concepção.

Allan Kardec divide os sonhos em três categorias: Sonhos provocados pelo organismo e que demoram em ser esquecidos; Sonhos mistos, causados pelo organismo e por uma ação espiritual, que são logo esquecidos e sonhos etéreos ou espirituais, que não são lembrados. Para a psiquê não há tempo ou espaço, as coisas ocorrem num mesmo instante. Assim vemos os sonhos proféticos, que parecem mostrar algo que vai ocorrer algum tempo depois ou já aconteceu. O sonho premonitório se caracteriza pelo conhecimento prévio de fatos, que depois de vistos ou vivenciados, durante o sono, se confirmam, num período, mais ou menos longo, durante a vigília.

Então, realmente é possível prever fatos através dos sonhos?

Os sonhos premonitórios são raros e como espírita, acredito que só ocorrem com a permissão de Deus. A Bíblia é um repositório de experiências dessa natureza. Podemos citar os sonhos do faraó, interpretados por José, filho de Jacó, sobre anos de fartura e de escassez que se aproximavam. Temos conhecimento de sonhos que ocorrem antes da morte, que parecem realmente preparar a pessoa para o fenômeno, mas são exceções. Psicologicamente, os sonhos com a morte são indicadores de transformação das personas e imagem do ego. A morte de alguém conhecida ou do próprio sonhador nos sonhos não está necessariamente se referindo à vida real.

Costumam envolver situações difíceis, doenças, problemas e algumas vezes até mesmo a morte. Devem ser tratados como probabilidades, não como certezas. Jung os estudou, falando na sincronicidade, descrevendo ocorrências simultâneas de dois eventos distintos que pareciam ter o mesmo significado ou alguma correlação. Estes eventos ocorrem abundantemente em nosso cotidiano, basta observá-los. Nos sonhos realmente premonitórios não vemos símbolos, o acontecimento futuro aparece claro, preciso e límpido.

Além dos exemplos da Bíblia, poderia citar algum outro exemplo de premonição por intermédio dos sonhos?

Há extensa literatura psíquica com exemplos dessa natureza. Um exemplo é o caso do presidente Lincoln, que sonhou que acordava em plena noite e, dirigindo-se para o salão principal da Casa Branca, notou que havia um velório. Perguntou a um soldado, que lhe respondeu que era do presidente, que fora assassinado. Naquele mesmo dia, comparecendo a um teatro, Lincoln foi morto.

A premonição através dos sonhos pode ser considerada um tipo de mediunidade?

Há, sim, a mediunidade, faculdade que possibilita o ser humano perceber a interexistencialidade da vida e que permite também as pessoas que a possuem, sonhar freqüentemente com pessoas desencarnadas e delas receberem orientações diversas. Alguns médiuns apresentam a faculdade premonitória, que lhes dá a oportunidade de ver durante o sono situações e acontecimentos futuros.

Pode-se receber as informações de diversas formas: por intermédio de um amigo espiritual, parente ou protetor, em linguagem encenada ou figurada. Outras vezes, o próprio sonhador, fora do corpo temporariamente, se recorda dos fatos importantes que deverão ocorrer. Outra forma seria o sonhador, durante o sono, penetrar a aura do outro, por quem se interessa, e descobrir suas intenções através da leitura de seus pensamentos. Uma outra maneira de observarmos as premonições é quando um desencarnado segue a corrente espiritual das ações de uma pessoa encarnada e por dedução toma conhecimento de um acontecimento que mais tarde ocorrerá com precisão.

É freqüente a ocorrência de pacientes que apresentam premonições através de sonhos?

Em geral, o que percebo nos pacientes, principalmente nos espíritas, que falam mais a respeito, é que na maioria das vezes não são sonhos premonitórios, mas sim intuições sobre pequenos fatos do dia a dia que lhes são antecipados. Porém, esses pacientes nem sempre lidam bem com essas pequenas premonições ou intuições, pois geralmente referem-se a fatos ruins e com pessoas queridas. Assustam-se e não querem tê-las, mas não possuem qualquer controle sobre como evitar ou interromper o pensamento que lhes surge. Além disso, quase sempre não sabem como proceder.

Em meus trabalhos no centro espírita também tive contato com pessoas que tiveram sonhos premonitórios, mas estes também não costumavam ser uma constante, tratando-se de fatos isolados em um determinado momento de suas vidas. Na maioria das vezes, eles tinham intuições sobre alguns acontecimentos e não sonhos. Essas pessoas nos procuravam geralmente assustadas e com medo de terem causado de alguma forma aquilo que sonhavam, mas após uma orientação e tratamento retomavam suas vidas sem problemas.

Existem pacientes que apresentam algum tipo de problema psicológico após um sonho premonitório?

Nos casos que acompanhei não observei nenhum problema psicológico por esse motivo. O que acontecia, em alguns casos, era a pessoa ficar muito ansiosa e preocupada com a possibilidade dos fatos sonhados realmente se concretizarem.

Dependendo do conteúdo do sonho, a pessoa preocupava-se de tal forma que depois tinha dificuldade para dormir, para parar de pensar no assunto e conseqüentemente, ficava muito cansada.

É comum, no consultório, pacientes que desencadeiam medos ou fobias em decorrência de sonhos premonitórios?

Não fobias, mas o medo estava presente na maioria dos pacientes que tiveram algum sonho premonitório. A sensação de que o sonho iria realmente acontecer lhes era muito forte, e por se tratarem em sua maioria de acontecimentos trágicos, temiam. Porém, no decorrer do trabalho, a angústia e o medo eram aliviados.

Gostaria de citar algum caso de sonho premonitório que algum paciente seu tenha tido?

Uma paciente espírita levou para análise um sonho em que um parente seu estava precisando de auxílio para fugir de pessoas que o perseguiam. Não conseguindo auxiliá-lo, ela acordou angustiada e ligou para saber como ele estava e soube que estava tudo bem. Porém, algum tempo depois, ele foi preso por um delito praticado.

A mesma paciente teve outro sonho onde o filho de uma colega morria num acidente. Via a colega sofrendo muito e a consolava. Verificou que o rapaz estava bem e sem problemas e não tocou mais no assunto. Pouco tempo depois, ele realmente morreu num acidente e a mãe a procurou sofrendo muito pela perda do filho.

Uma outra paciente sonhou que o marido de uma vizinha morreria devido a uma doença. Tratava-se de um casal de idosos. Soube que a esposa dele faria uma viagem para longe, era a viagem dos seus sonhos. Com jeito, conversou com ela para que não o deixasse só. Sofria com a possibilidade de seu sonho se realizar, pois nele, o que mais causava dor a sua vizinha era não estar com o marido no momento de sua morte e ele estar só. A vizinha não lhe ouviu. Realmente, durante a viagem, ele veio a falecer e ela teve que voltar às pressas. A senhora sofreu muito, não só por não ter estado com ele, mas também por não ter ouvido o alerta que recebeu. Ela desculpou-se com minha cliente, mas não conseguiu mais manter a amizade da mesma forma, por sempre se lembrar de não ter seguido seu conselho e sentir-se muito culpada.

De acordo com a visão científica, existem vários tipos de sonhos. Os premonitórios se encaixariam em qual gênero?

Quanto aos tipos de sonhos, é difícil fecharmos uma divisão, pois há uma mudança conforme a ótica que os observamos, mas de uma forma geral, temos: os sonhos que demonstram ser realização de desejos do sonhador (sejam estes desejos conscientes ou não), os compensadores (tentam compensar algo na vida da pessoa, como por exemplo, o tímido sonhando com momentos de extroversão), os sonambúlicos, os formados apenas de resíduos do dia a dia (que também têm função terapêutica), os lúcidos (onde a pessoa que sonha tem consciência que está dormindo), os recorrentes ou repetitivos (que com poucas variações, se repetem em diversos momentos da vida do sonhador), os pesadelos ou terror noturno (com forte carga emocional e aterradores), os simbólicos ou arquetípicos (aparentemente sem sentido e desconexos, repleto de símbolos – que ocorrem em momentos de transformação na vida da pessoa), somáticos (indicam ou advertem as pessoas sobre possíveis enfermidades), encontros com pessoas mortas e os proféticos ou premonitórios (que Jung preferiu chamar de prospectivos).

Que mensagem gostaria de deixar para as pessoas que tiveram ou possuem, com freqüência, sonhos premonitórios e acabam ficando preocupadas?

É importante que essas pessoas não deixem de considerar esses sonhos como probabilidades e não como certezas, pois podem simbolizar algo muito diferente ou até mesmo oposto. Os sonhos têm muitas causas e podem ser entendidos de muitas formas. Eles não precisam ser encarados como negativos, mas devem ser acolhidos. O medo e a confusão quanto ao que fazer é natural. O melhor seria procurar um analista ou um grupo psicoterápico de sonhos para compreender sua mensagem e não sofrer antecipadamente.

Os sonhos são sempre importantes, sejam mensagens do nosso inconsciente ou lembranças de experiências fora do corpo, precisam ser considerados. A pessoa poderá criar um caderno de sonhos, para anotá-los e posteriormente trabalhá-los. Pode-se deixá-lo à cabeceira, com uma caneta ou um lápis, e usá-lo como uma espécie de diário. Grafa-se o relato puro do sonho e depois outras lembranças que despertaram a pessoa.

Podemos dar ao sonho um título e mencionar fatos que acreditemos ter correlação com ele. Ao fazermos isso com um sonho, ou vários, o inconsciente pode provocar um ou mais sonhos confirmando ou negando a hipótese que levantamos para o sonho. Por isso, uma série deles sempre nos dirá mais. Porém, insisto que será válido levar o caderno para um aprofundamento em um trabalho de análise, individual ou em grupo. Sozinhos, devido a forte carga emocional envolvida, é difícil fazermos a análise e associações necessárias para sua melhor compreensão

A alma dos animais

A alma dos animais






Os animais têm alma?
O que acontece com os animais no mundo espiritual?
Os animais reencarnam?

Muitos duvidam da existência da alma nos animais, achando que apenas o homem a possui. Outros, entretanto, afirmam que eles não só têm alma, como esta é igual à do homem. Entendendo-se como alma a parte imaterial do ser, o espírito, os animais a possuem sim e esse princípio independente da matéria sobrevive ao corpo físico.

Nesse propósito, temos em O Livro dos Espíritos a seguinte explicação: “É, porém, inferior à do homem. Há entre a alma dos animais e a do homem distância equivalente à que medeia entre a alma do homem e de Deus”. Na mesma obra, encontramos também um esclarecimento muito importante para o assunto em pauta: “Após a morte, conserva a alma dos animais a sua individualidade e a consciência de si mesma? Conserva a sua individualidade; quanto à consciência do seu eu, não. A vida inteligente lhe permanece latente”.

No livro Os Animais têm Alma?, Ernesto Bozzano, conhecido filósofo e metapsiquista italiano, apresenta 130 casos de materializações de animais, visão e identificação de espíritos de animais mortos, alucinações telepáticas percebidas ao mesmo tempo pelo animal e pelo homem, bem como várias aparições de animais sob forma simbólico-premonitória. Cada caso é devidamente documentado e os comentários, apresentados com suas respectivas conclusões, são de difícil contestação.

A psique animal

A respeito de sua obra, Bozzano afirma: “Ela consiste em um primeiro ensaio para demonstrar, por um método científico, a sobrevivência da psique animal. É preciso voltarmos ao nosso assunto e concluirmos salientando que a existência de faculdades supranormais na subconsciência animal, existência suficientemente comprovada pelos casos que expusemos, constitui uma boa prova em favor da psique animal. Para o homem, deve-se inferir que as faculdades em questão representam, em sua subconsciência, os sentidos espirituais pré-formados esperando se exercerem em um meio espiritual (como as faculdades dos sentidos estavam pré-formadas no embrião esperando se exercerem no meio terrestre). Se assim é, como as mesmas faculdades se encontram na subconsciência animal, deve-se inferir daí, logicamente, que os animais possuem, por sua vez, um espírito que sobrevive à morte do corpo”.

Em Nosso Lar, de André Luiz, encontramos um trecho que dá conta da existência de animais no plano astral: “Seis grandes carros formato diligência, precedidos de matilhas de cães alegres e barulhentos, eram tirados por animais que, mesmo de longe, me pareceram iguais aos muares terrestres. Mas a nota mais interessante era os grandes bandos de aves, de corpo volumoso, que voavam a curta distância, acima dos carros, produzindo ruídos singulares”.

O que estariam fazendo esses animais que acompanhavam a caravana dos samaritanos, constituída por espíritos abnegados que iam até o umbral buscar enfermos para serem tratados nas “câmaras de retificação”? Colaborando. Os cães facilitavam a penetração nas regiões obscuras e afastavam seres monstruosos, os muares puxavam cargas e forneciam calor onde necessário e as aves devoravam as formas mentais odientas e perversas.

O pai da médium Yvonne A. Pereira, por meio de mensagem psicografada por ela, enviou um importante contributo para o nosso assunto. Ao desencarnar, ele foi levado para uma cidade pequena, sossegada, apropriada para convalescentes. Ao despertar, após três dias de seu decesso, encontrava-se só em uma varanda orlada de trepadeiras floridas. “O único rumor partia do orquestrar longínquo de uns pássaros, verdadeira melodia que ressoava aos meus ouvidos com delicadeza e ternura”, disse.

Cuidar dos animais

No livro O Consolador, Emmanuel esclarece quanto à missão que os humanos têm com relação aos nossos irmãos menores, que são os animais: “Sem dúvida, também a zoologia merece o zelo da esfera invisível, mas é indispensável considerarmos a utilidade de uma advertência aos homens, convidando-os a examinar detidamente seus laços de parentesco com os animais dentro das linhas evolutivas, sendo justo que procurem colocar os seres inferiores da vida planetária sob seu cuidado amigo. Os reinos da natureza, aliás, são o campo de operação e trabalho dos homens, sendo razoável considerá-los mais sob a sua responsabilidade direta que propriamente dos espíritos, razão porque responderão perante as leis divinas pelo que fizerem em consciência com os patrimônios da natureza terrestre”.

Sábia advertência, felizes os que a escutarem. Nosso carinho e solidariedade devem se estender aos seres que, mesmo estando abaixo de nós na escala evolutiva, são capazes de nos servir e amar. Necessitamos deles como eles necessitam de nós. E nessa troca de trabalhos e afetividade, todos ganham.

Artigo publicado na edição 15 da Revista Cristã de Espiritismo.

Inspiração, intuição e telepatia

Inspiração, intuição e telepatia





Como ocorrem estes fenômenos? Sua existência demonstra que a pessoa é médium?

No momento em que exerce sua faculdade, o médium pode permanecer no estado normal ou ficar num estado mais ou menos acentuado de crise (transe mediúnico).

Conforme o tipo de faculdade que possui, permanece com as percepções normais ou seu estado de percepção pode se tornar muito mais sensível. Quando no estado normal, é inspirativo ou intuitivo. Quando no estado de crise adquire a forma de sonambulismo ou de êxtase.

Na inspiração e na intuição recebem o pensamento do espírito e posteriormente, com seu modo característico, transmitem a mensagem.

O sonambulismo natural é o estado de independência do espírito em que as suas faculdades adquirem maior amplitude. A alma tem percepções que no estado normal se acham embotadas.

O estado de êxtase é um sonambulismo mais apurado. A alma do estático ainda é mais independente.

Nos estados de sonambulismo e de êxtase, a própria alma do médium pode comunicar-se, constituindo isto o fenômeno chamado animismo.

Na inspiração, a intervenção espiritual é bem menos perceptível, mais discreta; é um modo de o homem receber ajuda aparente do plano superior. São apenas idéias ou sugestões mentais desprovidas de sentimentos.·

A intuição é semelhante a inspiração, porém, a intervenção espiritual é bem mais acentuada; o espírito comunicante transmite suas idéias ou sugestões mentais carregadas de sentimentos ao encarnado que, entendendo-as, interpreta-as e as enuncia com suas próprias palavras.

Tanto na inspiração como na intuição o que ocorre é a transmissão do pensamento, portanto, se efetuam o processo de comunicação telepática.

Telepatia e mediunidade

Na telepatia processada exclusivamente entre os encarnados, uma vontade ativa transmite os seus pensamentos e outra vontade deliberadamente passiva recebe os pensamentos emitidos, o que constitui num processo de transmissão mental diretamente de encarnado para encarnado. Mas no caso da inspiração e da intuição telepática, além de o médium deixar-se “inspirar” por outro espírito desencarnado, ele também assenhoreia-se dos seus problemas venturosos ou aflitivos, assim como, às vezes, recepciona mensagem espiritual educativa que ultrapassa o seu entendimento ou concepção comum que tem a vida.

Na telepatia entre encarnados, um cérebro ativo envia ondas concêntricas que são captadas por outro cérebro receptor passivo, por que ambos sintonizam-se na mesma faixa vibratória de transmissão mental.

Na inspiração e, principalmente, na intuição, efetua-se o “ajuste perispiritual” entre o perispírito do médium e o desencarnado, em que o primeiro recebe diretamente a mensagem que deve transferir para o mundo material.

No caso de pura telepatia entre encarnados, o fenômeno é subordinado exclusivamente aos acontecimentos do mundo físico, enquanto que, no intercâmbio telepático inspirativo e intuitivo com os espíritos desencarnados, os médiuns captam notícias inéditas do Além, fazem previsões acertadas e muitas vezes expõem assuntos que, além de transcender aos seus próprios conhecimentos, ainda ultrapassam a concepção habitual dos frequentadores das sessões espíritas.

Na inspiração, o médium não se afasta do corpo, precisa apenas sintonizar-se mentalmente com o espírito para receber telepaticamente a influência e transmití-la, sem se afastar do corpo. É totalmente consciente, ocorrendo a assimilação de correntes mentais que o espírito envia ao encarnado, ou seja, são apenas idéias ou sugestões mentais desprovidas de sentimentos.

É simplesmente uma influência telepática com plena consciência do médium, nada provando a origem mediúnica, mas reconhece-se que é uma influência estranha quando o assunto tratado está fora das cogitações do médium ou mesmo contrária a seus pontos de vista.

Na intuição o médium também não se afasta do corpo, mas tem de sintonizar-se mentalmente a harmonizar-se vibratoriamente com o espírito para receber telepaticamente a influência estranha e posteriormente transmití-la.

Duas pessoas sintonizadas mentalmente estarão, evidentemente, com as mentes perfeitamente entrosadas e havendo entre elas harmonia vibratória, se estabelecerá entre elas uma ponte magnética vinculando-as, imantando-as profundamente.

Os pensamentos e as sensações diferentes que o médium sente, deve-se ao jato de força mental e força vibratória que o espírito lança sobre o sistema nervoso do encarnado, ou seja, as idéias ou sujestões mentais vem carregadas de sentimentos, sensações etc.

O médium recebe as idéias, interpreta-as e dá-lhes forma com suas próprias palavras.

Não raro o comunicante imprime maior vigor à ação telepática pondo a mão no cérebro material, caracterizando aí a chamada mediunidade intuitiva.

As incorporações caracterizam-se pelo fato de o espírito do médium afastar-se do corpo (ao qual fica unido por um cordão fluídico) e entrar num estado de sonolência ou transe.

Livro Nos domínios da mediunidade

A seguir, alguns trechos do livro de André Luiz, psicografado por Chico Xavier.·

“Os veículos físicos aparecem quais se fossem correntes eletromagnéticas em elevada tensão.

O sistema nervoso, os núcleos glandulares e os plexos emitem luminescência particular. E justapondo-se ao cérebro, a mente surge como esfera de luz característica, oferecendo em cada companheiro determinado potencial de radiação.

Corpo físico – manifestação transitória da alma

Em qualquer estudo mediúnico, não podemos esquecer que a individualidade espiritual, na carne, mora na cidadela atômica do corpo, formado por recursos tomados de empréstimo ao ambiente do mundo. Sangue, encéfalo, nervos, ossos, pele e músculos representam materiais que se aglutinam entre si para a manifestação transitória da alma, na Terra, constituindo-lhe vestimenta temporária, segundo as condições em que a mente se acha.·

Amortecimento vibratório do instrutor espiritual

O instrutor espiritual pousou a destra na fonte do médium que comandava a assembléia, tornando-se mais humanizado, obscuro (com menos luz). Graduou o pensamento e a expressão, de acordo com a capacidade do médium e do ambiente que o cerca, ajustando-se-lhes às possibilidades.

O benfeitor espiritual tornou-se mais pesado porque amorteceu o elevado tom vibratório em que se respira habitualmente, descendo à posição do médium, tanto quanto lhe é possível, para benefício do trabalho que se inicia.

Os espíritos cujas vibrações se processam aceleradamente, devido à sua evolução, graduam o pensamento e densificam o perispírito quando desejam transmitir as comunicações, inspirar dirigentes mediúnicos ou expositores.·

Para reduzir seu padrão vibratório, os espírito superiores impregnam-se de matéria sutil colhida no próprio ambiente; para elevar o tom vibratório do médium, eles encontrarão na concentração ou transe daquele, os meios de ativar-lhes as vibrações.·

O mentor espiritual age no cérebro do médium·

A cabeça venerável do instrutor espiritual passou a emitir raios fulgurantes, ao mesmo tempo que o cérebro do médium, sob os dedos do benfeitor, se sublimava de luminosidade intensa, embora diversa.

O mentor desencarnado levantou a voz comovente, suplicando a Bênção Divina.

O médium transmitiu igualmente em alta voz, imprimindo diminutas variações.

Fios de luz brilhante ligavam os componentes da mesa, dando-lhes a perceber que a prece os reunia mais fortemente entre si.”

Mecanismo da ação espiritual sobre o médium

Terminada a oração, acerquei-me do médium. Desejava investigar mais a fundo as suas impressões físicas e observei-lhe, então, todo o busto, inclusive os braços e mãos, sob vigorosa onda de força, arrepiar-lhe a pele, num fenômeno de doce excitação, como que “agradável calafrio”. Essa onda de força descansava sobre o plexo solar, onde se transformava em luminoso estímulo, que se estendia pelos nervos até o cérebro, do qual se derramava pela boca, em formas de palavras.

O jato de forças mentais do instrutor espiritual atuou sobre a organização psíquica do médium, apoiando-se no plexo solar, elevou-se ao sistema neuro-cerebrino.

Como energia elétrica da usina emissora que, atingindo a lâmpada, se espalha no filamento incandescente, produzindo o fenômeno da luz.

Fenômeno de assimilação mental

Vimos aqui o fenômeno da perfeita assimilação de correntes mentais que preside habitualmente a quase todos os fatos mediúnicos.

Essas impressões apóiam-se nos centros dos corpos espiritual, que funcionam à maneira de condensadores, atingem, de imediato, os cabos do sistema nervoso, a desempenharem o papel de preciosas bobinas de indução, acumulando-se aí num átimo e reconstituindo-se, automaticamente, no cérebro.

Semelhante a milagroso teclado de eletroimãs, ligados uns aos outros e em cujos fulcros dinâmicos se processam as ações e as reações mentais, que determinam vibrações criativas, através do pensamento ou da palavra, considerando-se o encéfalo como poderosa estação emissora e receptora e a boca por valioso auto-falante.

Tais estímulos se apressam ainda o mecanismo das mãos e dos pés ou pelas impressões dos sentidos e dos condutores, transformadores e analistas, sob o comando direto da mente.

A mediunidade é um dom inerente a todos os seres, (cada um a manifestando em determinado grau), como a faculdade de respirar, e cada criatura assimila as forças superiores ou inferiores com as quais sintoniza. Por isso mesmo, o Divino Mestre recomendou-nos oração e vigilância para não cairmos nas sugestões do mal, porque a tentação é o fio de forças vivas a irradiar-se de nós, captando os elementos que lhe são semelhantes e tecendo, assim ao redor de nossa alma, espessa rede de impulsos, por vezes irresistíveis.

Sintonia vibratória

Sintonia significa, em definição mais ampla, entendimento, harmonia compreensão, ressonância ou equivalência. Sintonia é, portanto, um fenômeno de harmonia psíquica, funcionando, naturalmente à base de vibrações. Duas pessoas sintonizadas estarão, evidentemente, com as mentes perfeitamentes entrosadas, havendo entre elas, uma ponte magnética a vinculá-las, imantando-as profundamente. Estarão respirando na mesma faixa, intimamente associadas”.

Idosos ou velhos?

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Idosos ou velhos?


Você se considera uma pessoa idosa, ou velha? 
 
Acha que é a mesma coisa? 
 
Pois então ouça o depoimento de um idoso de setenta anos: 
 
Idosa é uma pessoa que tem muita idade. Velha é a pessoa que perdeu a jovialidade. 
 
A idade causa degenerescência das células. A velhice causa a degenerescência do espírito. Por isso nem todo idoso é velho e há velho que ainda nem chegou a ser idoso. 
 
Você é idoso quando sonha. É velho quando apenas dorme. 
 
Você é idoso quando ainda aprende. É velho quando já nem ensina. 
 
Você é idoso quando pratica esportes, ou de alguma outra forma se exercita. É velho quando apenas descansa. 
 
Você é idoso quando ainda sente amor. É velho quando só tem ciúmes e sentimento de posse. 
 
Você é idoso quando o dia de hoje é o primeiro do resto de sua vida. É velho quando todos os dias parecem o último da longa jornada. 
 
Você é idoso quando seu calendário tem amanhãs. É velho quando seu calendário só tem ontens. 
 
O idoso é aquela pessoa que tem tido a felicidade de viver uma longa vida produtiva, de ter adquirido uma grande experiência. Ele é uma ponte entre o passado e o presente, como o jovem é uma ponte entre o presente e o futuro. E é no presente que os dois se encontram. 
 
Velho é aquele que tem carregado o peso dos anos, que em vez de transmitir experiência às gerações vindouras, transmite pessimismo e desilusão. Para ele, não existe ponte entre o passado e o presente, existe um fosso que o separa do presente pelo apego ao passado. 
 
O idoso se renova a cada dia que começa; o velho se acaba a cada noite que termina. O idoso tem seus olhos postos no horizonte de onde o sol desponta e a esperança se ilumina. 
 
O velho tem sua miopia voltada para os tempos que passaram. 
 
O idoso tem planos. O velho tem saudades. O idoso curte o que resta da vida. O velho sofre o que o aproxima da morte. 
 
O idoso se moderniza, dialoga com a juventude, procura compreender os novos tempos. O velho se emperra no seu tempo, se fecha em sua ostra e recusa a modernidade. 
 
O idoso leva uma vida ativa, plena de projetos e de esperanças. 
 
Para ele o tempo passa rápido, mas a velhice nunca chega. 
 
O velho cochila no vazio de sua vida e suas horas se arrastam destituídas de sentido. As rugas do idoso são bonitas porque foram marcadas pelo sorriso. As rugas do velho são feias porque foram vincadas pela amargura. 
 
Em resumo, idoso e velho, são duas pessoas que até podem ter a mesma idade no cartório, mas têm idade bem diferente no coração. 
 
*** 
 
A vida, com suas fases de infância, juventude, madureza, é uma experiência constante. 
 
Cada fase tem seu encanto, sua doçura, suas descobertas. Sábio é aquele que desfruta de cada uma das fases em plenitude, extraindo dela o melhor. Somente assim, na soma das experiências e oportunidades, ao final dos seus anos guardará a jovialidade de um homem sábio. 
 
Se você é idoso, guarde a esperança de nunca ficar velho.

Ola bons Amigos bom fim de semana‏ Benção de Sol


Ola bons Amigos bom fim de semana‏


Benção de Sol
Livro: Segue-me
Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

"... Nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, nos perturbe e, por meio dela, muitos sejam contaminados". - Paulo. (Hebreus, 12:15).
É razoável estejamos sempre cautelosos a fim de não estendermos o mal ao caminho alheio. Os outros colhem os frutos de nossas ações a oferecem-nos, de volta, as reações conseqüentes.
Daí, o cuidado instintivo em não ferirmos a própria consciência, seja policiando atitudes ou selecionando palavras, para que vivamos em paz à frente dos semelhantes, assegurando tranqüilidade a nós mesmos.
Em muitas circunstâncias, contudo, não nos imunizamos contra os agentes tóxicos da queixa. Superestimamos nossos problemas, supomos nossas dores maiores e mais complexas que as dos vizinhos e, amimalhando o próprio egoísmo, cultivamos indesejável raiz de amargura no solo do coração. Daí brotam espinheiros mentais, suscetíveis de golpear quantos renteiam conosco, na atividade cotidiana, envenenando-lhes a vida.
Quantas sugestões infelizes teremos coagulado no cérebro dos entes amados predispondo-os à enfermidade ou à delinqüência com as nossas frases irrefletidas! Quantos gestos lamentáveis terão vindo à luz, arrancados da sombra por nossas observações vinagrosas.
Precatemo-nos contra semelhantes calamidades que se nos instalam nas tarefas do dia-a-dia, quase sempre sem que venhamos a perceber. Esqueçamos ofensas, discórdias, angústias e trevas, para que a raiz da amargura não encontre clima propício no campo em que atuamos.
Todos necessitamos de felicidade e paz; entretanto, felicidade e paz solicitam amor e renovação, tanto quanto o progresso e a vida pedem trabalho harmonioso e bênção de Sol.



Muita Paz

Olá queridos amigos!‏

Olá queridos amigos!




POVOS E NAÇÕES BUSCARÃO CHICO XAVIER‏

Sei que Chico Xavier lerá estas pobres linhas, então este recado me é importante: Convivemos alternadamente entre os anos de 1972/1984 e nos correspondemos até hoje. Compusemos juntos dois livros* e tecemos sublimes ideais. Dentre as inúmeras coisas que aprendi contigo sobre mediunidade confiável, a principal delas é que o médium nunca deve mentir. Lastimo que o mundo não tenha compreendido melhor tua mensagem. É antigo hábito da humanidade ignorar, desvalorizar ou desprezar seus mentores e profetas. Sei que depois, depois e muito depois de teres ido para o Mundo Maior, povos e nações te buscarão nas luzes do passado e no pressentimento do porvir. Quando vierem as horas de provação coletiva, algumas já acontecidas, outras em andamento, te buscarão para ouvir-te. Uma vez me disseste que, no Além, gostarias de continuar médium. Acho que isso é o que vai acontecer. Aos que te buscarem em horas de sofrimento, aflição ou problemas difíceis, continuarás o medianeiro entre a espiritualidade Superior e a Humanidade chapinhando entre paixões e trevas. Habitas o reino onde a luz nunca se apaga.

POVOS E NAÇÕES BUSCARÃO CHICO XAVIER‏

           


 (...)
            Concluíste tua parte no labor e no sonho. Ensinaste-nos como viver para que Deus permaneça conosco. Porque a morte não separa os afetos verdadeiros, é certo que um dia nos reencontraremos sob a égide de Deus.

Fernando do Oz (Fernando Worm)

Livro:   Traços de Chico Xavier
Autores Diversos
CEU – Cultura Espírita União