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domingo, 26 de dezembro de 2010

Eu quero me matar! Eu vou me suicidar!

Eu quero me matar! Eu vou me suicidar!

A sua frase, carregada de dor e angústia rompeu o silêncio do ambiente onde estávamos. Até então, tudo era tranquilidde e discreto silêncio. Era. O sofrimento que ele imprimiu no ambiente fora muito forte.
- Eu quero me matar! Eu vou me suicidar! Eu quero acabar com esse sofrimento de uma vez! - Tornara a repetir.

Deixei-me envolver por uma profunda compaixão… quase podia sentir a sua dor, o seu sofrimento…

Ele, dizia-me constrangido, havia cedido ao álcool na fase das ‘vacas gordas‘, sempre rodeado de amigos. Mas, pouco a pouco havia desprezado os encantos do lar e as responsabilidades da família. Quando a esposa desistiu de suportar sua chuva de grosserias e descaso, levando consigo os filhinhos, deu-se conta de algo errado na vida… Aos poucos, entregou-se à depressão. Os amigos de outrora simplesmente sumiram, como por encanto. Os negócios caíram e em pouco tempo viu tudo ruir.

Essa a sua história. Restava-lhe agora acabar com tudo. Dar fim de uma vez à sua vida e encerrar seu sofrimento – Repetia incessantemente…

Por um átimo de segundo minha mente viajou no tempo, há vários anos atrás… Lembrei de minhas indagações sobre a vida e o que havia além dela. Fascinava-me a morte, não pela dor que ela sempre arrastava consigo, mas por querer saber se havia algo além dela…

Até que, pouco a pouco, fui tomando contato com as informações serenas, lógicas e esclarecedoras do Espiritismo. Pela primeira vez eu podia perguntar à vontade, questionar tudo, fuçar tudo e ainda assim, não ser repreendido “por estar me metendo nas coisas que só Deus sabe e não é dado ao homem conhecer..“, como tantas vezes ouvi dos meus familiares, adeptos de igrejas ditas pentecostais. A força do Espíritismo vem também de sua lógica, irrefutável!

Assim, compreendi que a vida continua sempre! Não há morte! O que chamamos de morte é apenas uma passagem para a vida espiritual.

Eu costumo usar uma imagem para descrever a morte: Imagine que você está vestindo uma camisa e, logo depois, você a tira. Por acaso você deixa de ser quem você é pelo fato de ter tirado a camisa? Você fica mais inteligente? Menos inteligente? Deixa de amar, sentir, viver? Não! Claro que não. Nada muda. Isso é o que se chama de Morte.

Você simplesmente entra em outra dimensão, na dimensão espiritual. Você continua quase do mesmo jeito que estava aqui. Quase, porque algumas coisas mudam, é verdade. Mas, de forma geral, você continua sentindo… amando… e se continuar em desequilíbrio, também continuará sofrendo…

Naquele brevíssimo instante em que minha mente afastou-se de nossa conversa, lembrei-me o quanto fiquei surpreso ao descobrir que o maior crime que o ser humano pode cometer contra si mesmo é o de matar-se.

As consequências são muito dolorosas. Exemplificando, fica melhor: Caso venhamos a este planeta com uma programação para vivermos 50 anos, e cometamos suicídio aos 20 anos de idade, teremos uma carga energética em nosso corpo espiritual que nos manterá ligado à Terra por mais 30 anos…

O sofrimento descrito por muitos suicidas é terrível. Não conseguem desligar-se do corpo, permanecendo desesperadamente ligado a ele…

Aliado ao desespero, segue-se a frustração por que em vez de encontrarem o nada, o vazio, o fim de tudo, acabam encontrando ainda mais sofrimento e dor.

O suicídio é a maior frustração que o ser humano pode enfrentar. A maior de todas!

Quantos espíritos já não me disseram, aos prantos, que foram obrigados a ver suas famílias se destruirem, seus filhos padecerem todo tipo infortúnio, escutar o choro dos filhos, suas revoltas enquanto eles permaneciam ali, como espírito, impotentes, sem conseguir se comunicar com aqueles a quem tanto amava…

Sempre me compadeço da dor do suicida. Então, nesses momentos, faço o que me ensinaram os bons espíritos: O Melhor antídoto para a dor do suicida é a prece. A prece feita com profundo amor e persistentemente.

- Você está me ouvindo??! – Bradou ele, tirando-me da viagem mental que eu acabara de fazer.

Olhei-o calmamente e perguntei-lhe:

- Amigo, acaso você acha que está abandonado? Acredita mesmo você que o Pai de Amor que teve o trabalho de te criar, sendo infinitamente perfeito em tudo, irá te abandonar nem que seja por um minuto sequer?

Você já passou por muitas dores e dificuldades e superou todas elas. Não entregue-se ao desespero. Ore, com amor e muita humildade. Confie em Deus e entregue-se a Ele. Sabe, amigo, uma fas mais fortes passagens do Evangelho, a meu ver, diz: “Seja o for que peçais na prece, credes que o obtereis e vos será concedido o que pedirdes (S. Marcos, 11:24)”

Experimente fazer diferente do você fez agora. Peça a Deus. Antes, apenas faça uma coisa: Perdoe-se! Não se critique mais! TODOS nós erramos. Então, concentre-se apenas agora em melhorar, em progredir.E assim, logo terá condições, inclusive de ajudar a sua família…

Ainda falamos um pouco mais, até ele ser conduzido carinhosamente por amigos… espirituais!
Sim… amigos espirituais!

Ele já havia cometido o suicídio! Eu estivera conversando com um espírito todo esse tempo. Seu grau de desespero e de despreparo com o mundo espiritual era tão grande que ele sequer percebera que já morrera…

Eu não pude contar-lhe o que estava acontecendo. Seria forte demais. Isso só multiplicaria a sua dor e seu desespero, trazendo-lhe mais desajustes psicológicos. Essa tarefa acabei por deixar aos encargos de nossos amigos espirituais que, com amor e muito tato, na hora certa, iriam fazê-lo compreender tudo.

Restou-nos, então, orar muito por nosso amigo…

… E escrever este post, neste blog, alertando a todos que passam por situações dificeis que tudo sempre passa. Seja lá o que você estiver enfrentando agora, também vai passar! Dedique-se a fé, a oração ao Pai. Logo, as nuvens irão embora e o sol irá brilhar em sua vida, enchendo-lhe o peito de orgulho por não ter sucumbido à idéia tola de cometer suicídio.

Que nos ampare a todos em seu imenso amor, nosso Mestre Jesus, o Médico de nossas almas.
Ylen Asor